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Em coletiva de imprensa, prefeito de São Gonçalo dos Campos apresenta dívidas milionárias e problemas deixados pela gestão passada


Publicado em: 21 de janeiro de 2021


A coletiva de hoje teve como objetivo discutir e apresentar à população sobre as formas que o município pretende pagar as dívidas.

O prefeito de São Gonçalo dos Campos, Tarcísio Pedreira, convocou na tarde de quarta-feira (20), uma coletiva de imprensa, para apresentar dívidas e problemas que o município está enfrentando e que foram deixados pela gestão passada, do ex-prefeito Carlos Germano.

A coletiva aconteceu na quadra ao lado da prefeitura e além de membros da imprensa, estiveram presentes representantes da comunidade e servidores públicos. Segundo Tarcísio, entre as dívidas, estão os salários de dezembro dos servidores, débitos com fornecedores, com a previdência e com a Coelba. Ele frisou ainda a coletiva de hoje teve como objetivo discutir e apresentar à população sobre as formas que o município pretende pagar as dívidas.

“Nós só teremos como apresentar de fato um planejamento quando tivermos as informações que a gestão anterior tem que passar até o dia 31 de janeiro. A dívida com a folha de pagamento de dezembro é de 3 milhões e 90 mil reais e nós recebemos no dia 31 de dezembro, praticamente metade disso. Acontece que a gestão anterior ainda vai apresentar de que forma esse dinheiro está comprometido ou não. Ou seja, quando a gestão passar essas informações, é possível que esses mesmos 1 milhão e 500 mil reais que foram deixados no dia 31 de dezembro de 2020,estejam comprometidos para poder pagar a outros fornecedores. De qualquer forma assumimos hoje com os servidores o nosso desejo de manter o pagamento da folha em dia”, afirmou.

O prefeito relatou que assumiu o compromisso de pagar aos servidores os salários do mês de janeiro no próprio mês corrente e sobre a folha de dezembro, ele informou que esta será paga de forma proporcional, de acordo com os recursos que foram deixados pela gestão passada e respeitando o limite prudencial e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Precisamos respeitar os limites de contas que são vinculadas, ou seja, o recurso do Fundeb, utilizado para pagar os professores, precisa respeitar alguns limites. A folha dos professores é de 1 milhão e 700 mil reais, mas o recurso deixado foi de 700 mil e então através de outros recursos a prefeitura vai redistribuir o recurso deixado no dia 31 de dezembro. Apresentaremos amanhã ao servidor, qual será o percentual e pode ser qualquer percentual entre 40 e 50%, mas lembrando que eu já assumi o compromisso com o servidor de honrar 100% desse pagamento. No entanto, só tenho como afirmar quando isso será feito, depois que tivermos acesso às informações que a gestão anterior vai passar”, salientou.

Tarcísio Pedreira disse que o município de São Gonçalo dos Campos tem uma previsão de orçamento e 84 milhões para o ano todo de 2021. Mas, segundo ele, só será possível saber se isso vai se concretizar em recursos no decorrer no ano.

Apoio de Carlos Germano nas eleições

O ex-prefeito Carlos Germano renunciou à reeleição para apoiar Tarcísio Pedreira e sobre este fato, Tarcísio comentou que independente de qualquer apoio político, não pode deixar de exercer a sua função de gestor e de mostrar os erros que podem existir. Ele declarou que em nenhum momento da campanha política foi informado que São Gonçalo tinha dívidas, e o que lhe passaram foi que a cidade estava toda arrumada.

“Não quero apontar errados, estou para apontar erros e quando a gente aponta erros e mostra, cabe a população fazer o julgamento. Eu não posso confundir qualquer apoio político com interesse ou objetivo de que eu como gestor deixe de cumprir a minha função de mostrar onde possa existir qualquer erro de quem quer que seja. Em nenhum momento isso foi discutido durante a campanha e o que nos passaram inclusive em palanque é que a cidade estava toda arrumada, e foi dito a população isso. Que nós encontraríamos o município sem dívidas. Só a previdência o município deve mais de 100 milhões de reais e só aos servidores, 3 milhões de reais referentes a dezembro. Além de fornecedores, outras dívidas, como por exemplo, 244 mil reais que a prefeitura deve a Coelba decorrente de parcelamentos anteriores”, frisou.

O prefeito enfatizou que vai aguardar até o dia 31 janeiro para que a gestão anterior passe todas as informações sobre a situação das dívidas do município e a partir disso, ele irá fazer uma nova apresentação dos dados e uma auditoria fiscal.

“Vamos identificar onde pode ter acontecido erros. E, se buscando erros, nós encontrarmos “errados”, vamos representar ao Ministério Público quem quer que seja. Quero que a população entenda é que o nosso objetivo é trazer São Gonçalo dos Campos para o trilho certo”, concluiu.

O que dizem os servidores 

Márcio Oliveira que é guarda municipal, confirmou que não recebeu o salário do mês de janeiro e na opinião dele, o ideal é que diante dessa incerteza os sindicatos das diversas categorias de servidores possam requerer na justiça o pagamento dos salários.

No último dia 12 de janeiro, houve uma paralisação dos garis e para ele, é necessário que todos os servidores se mobilizem para que a o poder público tome providências efetivas.

“O salário desse mês de janeiro, estamos vendo que a administração está se propondo a pagar dentro do mês, mas dezembro com certeza vai ficar comprometido. Cabe aos sindicatos representar o município de São Gonçalo, e ao prefeito atual resolver. O que não pode é ficar nessa celeuma até 31 de janeiro. Parabenizo os servidores garis que fizeram essa mobilização no município, representando a classe não só dos garis, mas todos os servidores públicos. Porque muitos tiveram medo de acompanhar os garis, mas deviam abraçar a causa junto com eles. O que está faltando aqui é representatividade. É judicializar, inclusive solicitando do juiz bloqueio de verba do recurso da administração e aí sim vai se revolver essa celeuma”, opinou.

A agente de endemias Marilene Souza contou que os seus serviços serão suspensos. Junto com isso, estão as contas atrasadas e até já tem restrições no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

“Isso é humilhante, está desgastante para os funcionários de São Gonçalo dos Campos. Eu estou no meu limite. Os mercadinhos do bairro onde eu moro não me dão mais confiança de vender, e a barriga fica como? Eu sou pai e mãe em minha casa. O importante agora é procurar resolver, porque eu trabalhei e nada mais do que justo que se apresente datas. Até a Coelba está batendo na porta dos funcionários pra cortar o fornecimento de energia, e isso não é justo. O gestor fica quatro anos e os funcionários efetivos são concursados”, salientou.

Para o guarda municipal Cláudio Millano, não há muitas perspectivas para o recebimento do salário que está atrasado. Ele acrescentou ainda que participou da coletiva convocada pelo prefeito Tarcísio Pedreira, no intuito de visualizar propostas e soluções para os problemas.

“Acredito que o prefeito vai trazer propostas coerentes, palpáveis, porque tem muitos servidores passando por necessidade. Aqueles que não acreditam é porque talvez nunca tenham passado por privação. Porque receber o salário dia 10 de dezembro e hoje já é 20 de janeiro. Então tem 40 dias de vencimento. O prefeito falou do seu compromisso de botar a folha em dias e eu concordo, mas nós também temos que colocar a nossa vida em dias. Tem servidor que está devendo internet, água, luz, tem servidor com a água cortada”, finalizou.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.