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Dinamarca suspende todas as restrições anticovid


Publicado em: 11 de setembro de 2021


A Dinamarca se tornou o primeiro país da União Europeia (UE) livre de quaisquer restrições relacionadas à pandemia do novo coronavírus. Após 548 dias com restrições e graças a alta taxa de vacinação, a Dinamarca completou na sexta-feira (10/09) a volta gradativa à normalidade com a suspensão do último entrave social no país – a obrigatoriedade de apresentar um comprovante digital de vacinação em casas noturnas.

Os números de novas infecções diminuíram na Dinamarca à medida que as taxas de vacinação aumentavam. Mais de 80% da população acima de 12 anos está totalmente imunizada. Ou, em outros números, 73% da população de 5,8 milhões de habitantes está vacinada.

A partir da meia-noite, o governo dinamarquês não considera mais a covid-19 “uma doença socialmente crítica”. As autoridades insistem que o coronavírus está sob controle, com cerca de 500 casos diários. No final de agosto, o ministro da Saúde da Dinamarca, Magnus Heunicke, afirmou que “a epidemia está sob controle”, mas advertiu que “não estamos fora da epidemia” e que “o governo agirá de acordo assim que necessário”.

Governo diz que não irá hesitar em caso de aumento de infecções

A Dinamarca é atualmente o único país europeu sem restrições anticoronavírus, embora não tenha sido o primeiro a suspendê-las. A Islândia chegou a retornar à plena normalidade em junho, mas viu-se forçada a reimplementar algumas medidas de segurança sanitária após um aumento de casos.

“Não diria que é muito cedo. Abrimos a porta, mas também dissemos que podemos fechá-la se necessário”, disse Soeren Riis Paludan, professores de virologia da Universidade de Aarhus, a segunda maior cidade dinamarquesa.

Jens Lundgren, professor de doenças virais do Hospital Universitário de Copenhague disse que o governo estará “bastante disposto” a reintroduzir restrições caso o número de novas infecções voltasse a subir. Lundgren apontou que os clubes noturnos foram os últimos locais livres de restrições porque “é a atividade associada com o maior risco de transmissão”.

“O mundo está no meio de uma pandemia e nenhum de nós pode afirmar que estamos além da pandemia”, disse Lundgren, que descreveu a Dinamarca como sendo “uma ilha isolada” onde a campanha de vacinação funcionou. “Ninguém deve ter a ilusão de que superamos isso.”

Show com público de 50 mil pessoas

O ponto de guinada para o começo da flexibilização das restrições na Dinamarca veio quando uma maioria considerável da população na faixa etária acima de 50 anos tinha recebido as duas doses dos imunizantes, segundo constatou Riis Paludan.

A Dinamarca introduziu o chamado passaporte da covid-19 em março como parte de um programa de flexibilização gradual. Em 1º de agosto, o governo eliminou a exigência do comprovante em museus e eventos internos com menos de 500 pessoas – posteriormente aboliu a medida também para grandes eventos.

Desde 14 de agosto, o uso de máscaras não é mais obrigatório no transporte público. Em 1º de setembro, as boates foram reabertas, os limites de pessoas em reuniões públicas foram removidos e deixou de ser obrigatório mostrar qualquer comprovante de vacinação em restaurantes, estádios de futebol, academias ou no cabeleireiro.

Neste sábado, um show em Copenhague com lotação esgotada receberá 50 mil pessoas – o primeiro na Europa desde a eclosão da pandemia.

No entanto, o uso de uma máscara segue obrigatório nos aeroportos e as pessoas são aconselhadas a usá-las quando estiverem no médico ou em centros de exames e hospitais. O distanciamento social segue recomendado e as restrições rígidas de entrada ao país seguem em vigor para não dinamarqueses nas fronteiras.

OMS: coronavírus estará presente por anos

Mas enquanto o país escandinavo mira para um futuro pós-pandemia livre de restrições, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que somente as vacinas podem não ser suficientes para acabar com a pandemia e que o coronavírus causar da covid-19 pode estar presente por anos.

De acordo com Hans Kluge, chefe da OMS na Europa, os imunizantes ajudam a prevenir doenças graves e a morte, mas o coronavírus deve persistir por anos, pois sofre mutações. “Devemos antecipar como adaptar gradualmente nossa estratégia de vacinação à transmissão endêmica e reunir um conhecimento realmente precioso sobre o impacto de doses adicionais”, disse Kluge em coletiva de imprensa em Copenhague.